Coluna do Aparelha Luzia - Estréia do espetáculo É Samba na Veia, é Candeia!

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As pessoas se aglomeravam diante do teatro Oficina na capital Paulista. O cheio de caldo-verde tomava o ar, os sorrisos e comentários ansiosos e felizes não imaginavam o que estavam prestes a presenciar.

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Os atores da Companhia Alvorada e os músicos do Coletivo Terreiro de Mauá transformaram o teatro no bairro de Osvaldo Cruz no subúrbio carioca, na Sapucaí, na Escola de Samba Quilombo e no quintal de Antônio Candeia Filho (1935/1978), mais conhecido como Candeia, compositor e interprete portelense de vários clássicos do samba e samba enredo e ativista da causa preta e do samba de raiz. Figura mais que importante para a cultura brasileira e um dos grandes intelectuais pretos.


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Encenado pela primeira vez no Rio em 2009, É Samba na Veia, é Candeia é certamente uma das peças destaques da temporada. O texto de Eduardo Rieche estará em cartaz no teatro oficina em curtíssima temporada  até o dia 8 de novembro às quartas e quintas às 21 horas. O teatro Oficina fica na Rua Jaceguai, 520 na Bela Vista, São Paulo. A direção é de Leonardo Karasek e a produção executiva da atriz e produtora Rita Teles.



O Painel BAP é num dos apoiadores da peça. Cada inscrição no painel reverte fundos para os artistas, além dos inscritos participarem de um sorteio de um par de ingressos para o espetáculo. Clique aqui para fortalecer o teatro preto brasileiro.


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Lembram da Raquel Helen da Silva? É com grande alegria que a notícia do financiamento coletivo realizado pela jovem estudante foi bem sucedido!  Raquel, que desde a adolescência vem participando de programas sociais e representando a juventude preta no mundo, se prepara para realizar um mestrado na Universidade de Yale nos Estados Unidos. Acompanhamos a sua trajetória desde 2017 e não poderíamos estar mais felizes.



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Esta coluna é uma co-produção do Blog Efigenias, UTPA e Aparelha Luzia.

Branco pode usar turbante?

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O papel do indivíduo branco na indústria da apropriação cultural


por Linda Marxs



Jéssica Davis escreveu um artigo no site da CNN sobre o processo de adoção de uma criança de Uganda pela sua família nos Estados Unidos. Ela e seu marido Adam são pais amorosos que gostariam de fazer a diferença na vida de pelo menos uma criança. Eles dispuseram de muito tempo, dinheiro e esforço para ter a oportunidade de criar uma menina de um país onde existem mais de 3 milhões de órfãos. Eles estavam felizes em receber e amar essa criança que teria sofrido toda sorte de abusos e privações em um orfanato e lhe dar um lar feliz com outros irmãos. Mas tudo mudou quando a menina aprendeu a falar inglês.




Ao contar sua sua vida pregressa, a menina revelou que tinha uma família, mãe e irmãos, que ía para escola e vivia uma vida feliz. A princípio Jéssica duvidou, achou que a menina estava fantasiando para lidar com os traumas. Mas ao investigar descobriu que a menina havia sigo roubada de sua família assim como outras crianças adotadas. Organizações internacionais se aproximam de famílias pobres em Uganda e outros países da Africa e Ásia oferecendo uma bolsa de estudos na América por dois anos. Os país vendo uma oportunidade de uma vida melhor para a criança, entregam seus filhos para serem vendidos e adotados por famílias brancas nos Estados Unidos.

Da vontade bem intencionada de uma família branca em adotar uma criança preta, nasce um mercado que se move em torno desse desejo e destrói uma família para atender esta demanda por um produto e serviço.E assim funciona o mercado. O brancos querem, nós nos sacrificamos para eles terem.


Pode ou não pode?


Eu participo de diversos eventos sobre tecnologia, empreendedorismo, linguística computacional, racismo corporativo. Invariavelmente, independente do assunto que eu seja convidada a palestrar, no final do evento aparece uma pessoa branca para perguntar: branco pode usar turbante?

Eu poderia começar pela linguagem e questionar o uso do verbo "poder". "Pode ou não pode?, será esta é a questão? Porque o que define o que se pode ou não pode fazer na sociedade a priori é a lei, e debate não tem poder legislativo. Que poder tem a opinião de alguém se não existe  uma lei que proíba brancos usarem turbantes? Por que eles pedem nossa opinião? Desde quando branco respeita a opinião de preto? É complexa essa ideia de pode ou não pode.

Uma vez ouvi uma conversa de mulheres brancas perguntando para uma jovem preta se podiam ou não usar turbante e incumbindo a ela o dever de legislar naquele espaço privado pela causa dos brancos. Segunda elas, os brancos querem usar "as coisas das outras culturas" e um indivíduo usar turbante não seria apropriação cultural, uma vez que apenas a indústria tem o poder de apropriar e explorar a cultura alheia. Será?


O papel do branco no mercado e indústria


Se por um lado as relações subjetivas e interpessoais são tamanhas que impossíveis de mensurar ou prever em sua especificidade, as relações estruturais se baseiam nesta relações, suas combinações e efeitos sociais. Um único branco que por algum motivo use turbante, realmente tem pouco impacto cultural. Mas o que acontece quando muitos brancos individualmente querem a mesma coisa? O que as empresas, o marketing, as instituições fazem quando brancos querem algo? O mercado se organiza para atender o desejo desses brancos. A regra da produção capitalista é: o branco quer alguma coisa, o mercado se move em torno deste desejo.

Um grande exemplo é a chamada Anti-age Industry, a indústria dos produtos anti-idade e rejuvenescimento, uma obsessão branca de mais de 2000 anos: não envelhecer, impedir o processo natural da vida, valorizar a juventude, demonizar o velho. Neste ano a indústria Anti-age movimentou mais de 216 bilhões. E nesta grana estão contidos médicos, cientistas, pesquisas acadêmicas, produção de produtos e serviços, propaganda, marketing, ideologia.  Claro que nem sempre é preciso fazer comparações para se propor um ponto de vista, mas só para imaginarmos o impacto, o mercado do tratamento e pesquisa da Aids e HIV teve investimento na casa dos 14 bilhões em 2016, dados americanos.  Claro que não há um rigor científico neste paralelo, mas dá para sentir um pouco o que o desejo de pessoas brancas fazem com o mercado no capitalismo.


Mas afinal, branco pode ou não usar turbante?


Depende. Se for pra ficar bonito, não, branco não pode usar turbante.





:: Efigenias ::

entendendo o jogo

Coluna do Aparelha Luzia - Lançamento do single de Xenia França

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Variedades da cena preta paulista


Xenia França, que prestigiou na noite de ontem (14/09) o último Diálogos Ausentes, projeto do Centro Cultura Itaú, acabou de lançar o primeiro single de seu álbum de estreia "Xenia"

 Xenia - Pra que me chamas?


Depois de anos como a estrela da banda Aláfia, a cantora Xenia França lança seu projeto solo e o primeiro single “Pra Que Me Chamas?” que já está disponível nas plataformas digitais. O lançamento do álbum será dia 15 de Outubro e a coluna estará presente.


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Mel Duarte, Poeta, produtora cultural e integrante do Coletivo Poetas Ambulantes, performou seu slam na noite Palavras Subterrâneas na Sensorial Discos. Mais uma noite de poesia e literatura na cidade.

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No dia 27 de setembro acontece no Aparelha Luzia o lançamento de "No seu pescoço", novo livro de Chimamanda Ngozi Adichie a escritora nigeriana sensação do momento. O evento contará com bate-papo e leitura de trechos com Stephanie Ribeiro, Dirce Thomaz, Kiara Felippe e Jô Freitas, com comentários de Bianca Santana. Logo depois haverá pocket show de encerramento com Denna Souza. Direto da página do Aparelha.

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A próxima edição do evento Mulheres Digitais vai contar com nomes de peso da nossa comunidade: Monique Evelle do Desabafo Social, Aline Ramos do Buzzfeed,  Stella Yeshua do Estaremos lá, Bianca Santana da Revista Cult, Joice Bert, Joyce Prestes do Think Eva e muitas outras mulheres que fazem a diferença na internet e no mundo.

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Luanna Teofillo do Painel BAP e do blog Efigenias estará presente e dividirá um painel sobre novos consumidores com a #alpha Adriana Barbosa da Feira Preta que está de malas prontas para participar nos Estados Unidos de um jantar com personalidades pretas como Barack e Michele Obama. Ela foi escolhida uma das mulheres pretas mais influentes do Brasil ao lado do casal Tais Araújo e Lazaro Ramos.



Por que ninguém desvia de mim?

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Era antes do meio dia quando abri o New York Times e li a seguinte manchete: Was that racist? Era um artigo na coluna de Greg Howard, repórter do jornal. A matéria falava como Greg percebeu que mulheres brancas não desviavam dele nas calçadas de NY. Tomei um susto. Fiquei uns segundos em transe quando vi uma das grandes questões da minha vida sendo exposta num jornal de domingo: por que as pessoas não desviam de mim?

by Linda Marxs



Eu sou preta. Aquele tipo de preta que se nota de longe porque por questões da loteria humana calhou de transitar em lugares majoritariamente brancos #MOBF.  Desde a adolescência me me pergunto porquê em alguns locais as pessoas simplesmente tem como previsto o fato de que eu me moverei para evitar ir de encontro com elas? Por que esperam que eu faça algo que elas também podem e devem fazer? Por que tem que ser eu?

Pensei em várias hipóteses, e a conclusão que cheguei é que por algum motivo ainda desconhecido, eu estava em um looping tempo-espaço, o que impossibilitaria a transição precisa de uma camada quântica a outra o que poderia ocasionar uma colisão no processo de sincronização. Era a única explicação possível.

Mas não era nada disso, era o racismo. Aquele sutil, que se aprende em silêncio. Que age desapercebido e que representa boa parte das relações raciais e a convivência entre pretos e brancos.


A calçada é o guarda-chuva da cafeteria



A relação entre os corpos pretos e brancos, assim como tudo na vida, é baseada em conceitos e teorias racistas que nascem da ideia de superioridade dos brancos e a servidão intrínseca do preto e o lugar que nos cabe.

Uma vez que na frente de um café na branca Oscar Freire havia um segurança reduzido a carregador de guarda-chuva que levava cada branco para seu carro durante uma forte chuva. Ele se molhava todas as vezes, porque assim como aquelas calçadas, aqueles guarda-chuvas também eram feitos para corpos brancos. Seu corpo preto se molhava e todos pareciam estar com a sensação de dever cumprido, afinal, nada mais natural do que eu corpo preto se molhar para que as patricinhas e seus cachorros pudessem seguir intactas até seus carros. A calçada é tipo o guarda-chuva, alguém tem que se molhar.

Como não pensei em racismo? Como o racismo estaria em todos os aspectos da minha vida menos nas calçadas?  Poderia ser que eu estivesse delirando, afinal, é apenas a calçada. Quis tirar a prova e comentei no meu Facebook.

Para minha surpresa, amigos pretos disseram que já haviam percebido e que tinham atitudes, rotinas e estratégias para se impor no espaço público. Um disse que já tinha uma cara certa para esses momentos, minha prima falou que não desviam nem de crianças pretas e outros comentaram que os mesmo acontece em outros locais públicos. Todos demonstravam bastante familiaridade com o tema. Fiquei chocada. Brancos não desviam de pretos.

Eu entrei num tipo de transe existencial. Me surpreendi como nunca tinha conversado com esses amigos sobre isso mas naturalmente a conversa se instalou. Eu esperava aquela reação de praxe, “isso é coisa da sua cabeça”, “agora tudo é racismo”, mas não, ninguém para me dizer que era apenas impressão minha ou que depende. Aparentemente as relações raciais nas calçadas é um assunto que parecia silencioso mas que pairava em nossas vidas. É daquelas coisas que o racismo ensina na sutileza mas nunca se esquece.

Passando na frente de um colégio famoso em São Paulo, frequentado pela elite branca paulista um grupo de adolescentes veio em minha direção. Não acredito que não vão desviar, pensei. São bem educados filhos da classe alta paulista, aprendem alemão, viajam para Disney e desde pequenos sabem que o preto é  tem que desviar deles na calçada e foi o que aconteceu. Eles não desviaram.


Eu decidi não desviar

Daquele momento e diante tomei a decisão de adotar o princípio da reciprocidade para o trânsito nas calçadas: Desviar é ato de todos. Só desvio se a outra pessoa também se mover.

Na primeira esquina, esperando o farol abrir vi meus primeiros oponentes. Um  homem e uma mulher brancos que me olharam com aquele olhar que brancos olham uma mulher preta quando ela está em um lugar onde, pra eles, ela não pertence. É um misto de admiração excessiva, dúvida, desprezo e racismo. É um olhar do tipo: você pode estar aqui, você pode estar vestida assim com uma bolsa cara e um casaco elegante mas nunca vai deixar de ser preta. Sabe este olhar?  Estou te vendo e te lembrando disso e deixando claro que não vou desviar.

O farol abriu, eu tinha tomado minha decisão. Ela veio, olhando pra mim, estava chegando perto e não demonstrou a menor intenção de desviar um centímetro que fosse quando aconteceu: trombamos.  Senti minha bolsa quase voar mas segui. Ela se virou e gritou: Por que você não desviou? Como quem diz: por que você não abriu espaço pra mim? Por que você não fez o que era esperado que você fizesse?

Eu falei: se você me  viu, por que VOCÊ não desviou? Ela ficou em silêncio olhando feio, aquele olhar do gelo e eu segui com o coração disparado pela trombada.

Algo havia acontecido. Eu não desviei e tudo mudou. Prossegui. Levei muitas trombadas esse dia mas vi algo que nunca tinha acontecido: as pessoas desviaram de mim. Ao invés de sair da pista agora eu participava da dança, me impunha, não ia me mover se a pessoa não se movesse e algo se transformou em mim.

Esse lance de desviar parece a vida e foi muito emblemático que na primeira vez em mais de 30 anos quando finalmente decidi que também pertencia a calçada, uma mulher branca se sentisse no direito de gritar e para me por no meu lugar. Parece o Miss Brasil. Parece Charlottesville. A calçada é a empresa, a universidade, os restaurantes, os lugares onde estamos mas não querem que a gente esteja. O grito dela é o grito daqueles que não querem compartilhar esses espaços e que não percebem que se ela desviar um pouco podemos seguir nosso caminho, cada uma para o seu lugar.


:: Efigenias ::

Chin up

Coluna do Aparelha Luzia - Apresentação Movimentos SP com Carl Hart

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Variedade da cena preta paulista


Mais de 300 pessoas acompanharam o lançamento da cartilha Movimento SP com a presença do neurocientista da Columbia University Carl Hart.





Mack Daddy, OG, Hell of a Man, MVP, Mindfuck Man, não encontramos um termo preciso em inglês para descrever o homão da porra Carl Hart que lançou seu livro "Um preço muito alto", falou sobre sua tese sobre a falida guerra às drogas, o abuso de usuários, e foi abraçado e muito amado dentro do Quilombo.


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Além de escritor e person of value, Carl Hart foi o primeiro DJ do lendário Run DMC, o que levou muitos fãs de Rap, ao lado de médicos, estudantes, jornalistas, ativista e toda comunidade de Luzia ao evento que teve tradução simultânea e telão para as pessoas acompanharem do lado de fora.


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A multiartista Thalma Freitas, que está no Brasil gravando um reality show, estava presente no evento. Trouxe novidades e notícias de Los Angeles, onde mora com a família, e apresentou o One United Bank, um banco afro-americano com muito interesse no mercado brasileiro.

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Falando em banco e iniciativas de desenvolvimento econômicos, Thiago Vinícius da Agência Solano Trindade também assistiu ao evento. Ele é o idealizador do Banco Sampaio, uma instituição financeira popular comunitária com moeda própria que funciona na periferia de São Paulo e desenvolvem a economia local.




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Do Quilombo para Harvard: soubemos que um convite da famosa universidade Norte Americana, onde estudaram grandes líderes como Barack Obama e entertainers como Tyra Banks chegou no Aparelha Luzia. Em breve novidades de Malunguinho...





Como entender o racismo assistindo vídeos do Porta dos Fundos

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Já tentamos tudo. Amor ao próximo, religião, livros de história, mensagens de união e respeito, manifestação, filmes, músicas, mas por enquanto nada deu certo: brancos continuam sendo racistas.

Hoje vamos tentar entender algumas camadas do racismo através de vídeos do canal Porta dos Fundos para ver se damos uma adiantada porque o lance continua muito sinistro. Ou você quer que eu desenhe?


Branco é tudo igual



A história
Em um escritório uma funcionária branca confunde o seu chefe com pedinte 

A piada
A funcionária branca é racista porque diminuiu e desrespeitou seu chefe por ser preto.

A graça
Ela é racista, pede desculpas e é racista de novo. 

Você com isso
Sempre que você pressupõe algo sobre alguém por sua cor ou aparência está fazendo exatamente isso. E você faz isso muitas vezes, pede desculpa, e faz de novo.

Frases clássicas
Você é passista? Você trabalha aqui? Você é cantor de pagode? 


Coluna do Aparelha Luzia - Lançamento do Espetáculo Rés da Corpórea Cia de Corpos

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Variedades da Cena Preta Paulistana

Durante 40 minutos o quilombo urbano foi tomado por respirações curtas e olhos vidrados a cada movimento. Cerca de 100 pessoas acompanharam sem perder nenhum gesto do espetáculo de dança Rés.

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“Tudo não é dança, mas dança pode estar em tudo. Tudo é movimento” Verônica Santos


O espetáculo Rés tem como temática principal o universo do encarceramento feminino do Brasil e o perfil da mulher encarcerada que reflete uma assimetria de gênero que as atinge antes mesmo de entrarem em conflito com a lei. A terceira interprete e co-criadora Dandara Gomes, não pôde estar presente no lançamento e sobre ela, suas companheiras de cena são unânimes: é a cereja do bolo.

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Logo após a apresentação, a idealizadora, Verônica Santos e a bailarina Malu Avelar, integrantes da Corpórea Cia de Corpos, falaram com a Coluna sobre o espetáculo Rés e a próxima apresentação agendada para estrear em outubro.
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Com olhar vibrante, costurando a dança, com a existência e outros assuntos,  Verônica - bailarina clássica nascida em Belo Horizonte - se abre ao ser perguntada sobre empoderamento. O que é empoderamento pra você? “Empoderamento é minha mãe”, responde certeira.  “Ela questiona nossa geração e pergunta: O que nós fazemos com nosso empoderamento?”


Simone Grazielle da UTPA, Luanna Teofillo do Efigenias e Malu Avelar da Corpórea Cia de Corpos


Malu Avelar começa falando sobre a significado de lançar este espetáculo em Aparelha Luzia: “É muito forte. Morei nesta casa.” A artista mineira, que além de bailarina, é professora de artes, diz que aos dois anos já tinha certeza do que queria e hoje vê a dança como sua função no mundo. Atualmente, compõe o corpo de bailarinos da Cia Sansacroma e Corpórea, dois expoentes das artes e da dança preta contemporânea da cena paulistana.


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Sobre a política por trás da sua performance artística, diz Malu: “O ativismo veio depois, de outra forma. Na Universidade ouvi que as Belas Artes não eram para preto e pobre. Quando cheguei em São Paulo me assustei com a quantidade de pessoas pretas morrendo nas ruas aos olhares de todos ao mesmo tempo que muitas vezes, por conta do meu trabalho, círculo em locais elitistas.”

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O cantor e produtor Melvin Santhana assina a produção musical do espetáculo. O lançamento do seu álbum solo tem estreia prevista para o mês de outubro pela UTPA - mesma produtora do Rés.


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Recém chegado de New York, o bailarino Flip Couto também foi prestigiar o lançamento do espetáculo Rés. Depois de uma temporada na House of Matters, no bairro do Bronx, junto com o bailarino Felix Pimenta, continuam produzindo a Festa Amem.

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Biel Lima também, também do Coletivo Amem, estava presente no evento e está trabalhando como DJ Erik Elder em seu novo EP. Com influências de Otis, Barry White, Drake, Corine Bae, Khalid e Tassia Reis - que terá uma participação neste trabalho.


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Esta coluna é uma co-produção do Blog Efigenias, UTPA e Aparelha Luzia.


Nove coisas que pessoas brancas podem fazer para apoiar a luta preta

2 comentários:
Cansou de ser chamado de biscoiteiro, apropriador, colonizador e racista? Eis a solução


Eu não vou fazer um parágrafo explicando o que o racismo significa para a evolução do homem na terra e a quantidade de problemas sociais e humanos que foram criados junto com a ideia de que algumas pessoas são superiores a outras. 

Vocês estão cansados de saber que há pelo menos mil anos a cultura branca vem perseguindo, usurpando, estuprando, desprezando, colonizando tudo o que é não-branco e a vida na terra tem sido uma grande merda por causa disso.

Não quero me estender dizendo que a participação dos brancos que dizem não serem racistas é essencial para o fim do racismo como prática cotidiana. Primeiro porque os racistas são brancos, então meio que é algo que vocês tem que resolver entre vocês, e segundo porque brancos que não são racistas e que querem de fato contribuir para acabar com esse inferno, muitas vezes parecem  que não sabem que a relação deles com tudo o que é não-branco é extremamente problemática e isso se dá por ideias que vocês mesmo criaram. É meio confuso mas resume-se em: racismo é um lance meio que de branco mesmo.

Mas como de boas intenções o inferno tá lotado, nove coisas que brancos podem fazer para apoiarem a luta preta.

Nove músicas para entender o Baile da Lolo

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Este texto é o terceiro do compêndio Manifesto do Samba Abstrato

3- Nove músicas para entender o Baile da Lolo


O Baile da Lolo é uma performance carnavalesca política satírica preto. Em outras palavras, é um baile à fantasia inspirado nos coxinhas, paneleiros, seus amigos aristocratas donos do mundo e toda essa galera que simplesmente acaba com a nossa vida todos os dias batendo suas panelas, atrasando nosso rolê e empatando a nossa foda.

Perucas loiras, sapatênis e pulovers já estão na pista e a festa Amem Brother está no controle. Biel Lima encarna Francisquinho Filho Júnior III que junto a anfitriã Lolo Figueiroa com sua panela em punho recebe os convidados. O clima é de desvario onírico e a festa começa.

Francisquinho iniciando os trabalhos no Baile da Lolo (foto: Mariana Ser)

Simbolizando o final de um ciclo e início de uma nova era de estéticas e narrativas pretas, nove músicas para entender o Baile da Lolo.


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