Melanina é a cor do poder e África uma superpotência

A imagem da capa de um livro escrito em conjunto por autores que se debruçaram sobre o poder da melanina do cérebro humano. Todo mundo tem cérebro. Mas nem todos tem o mesmo poder. O assunto é revolucionário e temos outros jovens autores e novas fontes sobre a superestrutura que é a melanina.

Capa do livro ‘Porque Negritude importa. O poder da Melanina no Cérebro’


Por: Paulo Mileno


Khonsu Nok, pesquisador da Ciência Espiritual Kemética, afirma que a melanina é uma molécula transmissora da consciência do ser supremo e a intensidade dessa transmissão aumenta com a quantidade de melanina. A melanina precisa da energia do sol. Acresce a seguinte poderosa informação:

Há mais de 30 mil anos, os africanos eram treinados para usar o máximo possível de seu poder da melanina. O domínio desse poder resultou nas histórias de Deuses Negros caminhando sobre a Terra. Não eram lendas, eram reais. Todos os Grandes Deuses Negros como Jakuta (o Sango original), Obatalá, entre outros, já andaram pela Terra com "Poderes Sobrenaturais" provenientes da melanina.

Por essa razão, o pesquisador defende que precisamos entender a melanina contextualizada como ciência espiritual:

"(...) porque ela é a fonte de poderes. É o verdadeiro petróleo. Esta é a razão pela qual as raças pálidas se dedicam à destruição, à escravização preta e a impedir que pretos conheçam seu poder adormecido (...) O aumento da consciência universal e o potencial de poderes sobrenaturais encontrados na melanina é a raiz da inveja das raças pálidas que fizeram tudo o que estava a seu alcance para primeiro destruir, e agora, explorar os poderes melaninos da raça africana. Eles até encontraram uma maneira de criar falsas substâncias de melatonina e melanina sintética. No entanto, nenhuma dessas tem os inatos poderes espirituais da original."

A supremacia branca é “suprema” apenas pela formação da consciência histórica porque é um povo em minoria no planeta. Essa paradoxal desproporção de poder é fruto da construção do imaginário e do conservadorismo estético da branquitude. Se trata de uma “estética”, entretanto, é uma anomalia humana. Uma anomalia que não resiste a ação do tempo. De acordo com Priscilla N. Kelly em seu artigo ‘As Raízes do Cabelo Cinza’ (The Roots of Gray Hair) publicado pela Revista Science:

"(...) Os melanócitos são as células responsáveis que produzem lentamente os pigmentos de cor chamados melanina, mas como e por que isso ocorre com a idade permanece um mistério. Harris et al. estabelecem uma relação entre o sistema imunológico e o envelhecimento prematuro. Eles descobriram que a proteína MITF (fator de transcrição associado à microftalmia), que controla a função das células-tronco dos melanócitos, também atua para desencadear as respostas imunológicas dos melanócitos. (...) Essas descobertas podem lançar luz sobre por que doenças crônicas ou certas doenças auto-imunes podem acelerar o processo de envelhecimento"

É nítido aos olhos de qualquer um que os brancos apresentam um envelhecimento muito mais acelerado do que pessoas de pele negra. Consequentemente, quanto mais velho for a pessoa, mais fraco é o seu sistema imunológico. Quanto menos melanócitos, mais fraco ainda será o sistema imunológico, porque os melanócitos são considerados células imunológicas. Leia mais em ‘A imunologia e as respostas inflamatórias dos melanócitos humanos em doenças infecciosas’ (The immunology and inflammatory responses of human melanocytes in infectious diseases) de Philippe Gasque e Marie Christine Jaffar-Bandjee, artigo publicado pela Biblioteca Nacional de Medicina do Centro Nacional Para Informação de Biotecnologia (National Library of medicine of the National Center for Biotechnology Information). 

Se você precisa de fontes para validar essas informações, confira, na língua inglesa, A Ciência Espiritual Kemética, o filme ‘Olhos de Hórus’ e a Revista Science, reconhecida como o órgão de expressão da Associação Americana para o Progresso da Ciência (American Association for the Advancement of Science — AAAS). Nessas três fontes é possível encontrar uma linha triangular convergente.

Hoje está comprovado cientificamente que a vida humana se originou no continente africano. Essa descoberta científica converge com as escrituras sagradas da Bíblia, ao mencionar que a Humanidade surgiu no Jardim de Éden, atual Etiópia. Jesus Cristo jamais poderia ser branco, loiro, de olhos azuis se ele precisou ficar escondido entre o povo preto no Egito.

A pele clara é uma metamorfose adaptativa dos povos que emigraram para o norte do globo terrestre, há milhares de anos. Hoje em dia, qualquer pessoa de pele preta que passar o inverno na Rússia não ficará branco. Mas sua pele ficará em tom acinzentado, o que chamamos no Brasil de “russo”. Entretanto, em nossos dias, é reconhecido também que nem todos os habitantes da Europa eram brancos, assim como o ‘Homem de Cheddar', esqueleto de 10 mil anos encontrado no Reino Unido, em Cheddar, que foi provado que a pigmentação de sua pele era negra.

Essa foi uma reconstituição feita por um scanner de alta tecnologia que comprovou sua pele negra e olhos azuis e até hoje nós vemos que os olhos claros, cabelo liso e até loiro, não são características únicas dos brancos conforme comprova o povo melanésio das Ilhas Salomão. O poeta Gilberto Gil foi quem melhor traduziu essa diversidade humana “o negro é a soma de todas as cores”.

Sendo o negro a soma de todas as cores é ainda possível que uma pessoa negra vire branca acaso ela tenha vitiligo, tal como aconteceu com Michael Jackson. No entanto, é impossível uma pessoa branca virar negra, lhe restando desenvolver câncer de pele, acaso queira medir força com a natureza.

Uma vez, um jornalista perguntou ao Bob Marley o que ele teria que fazer para virar um Rastafari. Marley responde, “bem a primeira coisa é: nascer de novo. O jornalista insiste. “Mas eu tenho que ser negro?” Bob complementa o seu raciocínio. “Se você tiver uma escolha, é melhor ser negro”.

Foi necessário fazer essa explanação histórica e científica para estar apto à análise desses fatos através do materialismo dialético da supremacia branca, embora eles sempre se pautem pela negativa geral dos fatos. A anomalia provocada pela ausência de melanina diz muito sobre o modus operandi da supremacia branca. O controle das ideias. A formação da intelectualidade. E o genocídio do corpo e espírito negro.

A melanina é uma benção poderosa porque é a cor do poder. Mas esse poder somente só pode existir se o negro tiver consciência racial para receber a sua herança bioancestrálica.

O estudo das lideranças negras ao longo da história, como Zumbi dos Palmares, Ouladah Equiano, Toussaint L’Ouverture, Haile Sellasie, Dusé Mohamed Ali, Marcus Mosiah Garvey, passando por fenômenos de massa como Muhammad Ali e Bob Marley, nos fazem sentir um espírito de missão ao percorrer o caminho que nossos ancestrais percorreram em seu tempo histórico e atualizaram a tecnologia ancestral para o presente, moldando o futuro.

Devemos ir além da história ensinada como ponto de partida dos africanos no mundo e chegarmos aos séculos de glória que foram muito maiores do que os 300 anos de escravatura. Mas não devemos ficar refém do passado. Devemos manter viva a nossa tradição milenar paralela à revolução tecnológica. Seria isso o Afrofuturismo?

Existe uma disputa secular no domínio planetário e, finalmente, o Ocidente demonstra estar com seus dias contados ao passo que o Oriente, liderado pela China, vem se solidificando como uma potência mundial. O continente africano tem um enorme potencial para se tornar a próxima potência global. E é por essa razão que a própria China investe lá. De acordo com Pascal-Emmanuel Gobry em seu artigo sugestivo publicado no site da Forbes ‘China entende o que o Ocidente não entende: A África é nossa próxima superpotência’ (China Understands What The West Doesn't: Africa Is Our Next Superpower)

É esse fenômeno social que está impulsionando o interesse da China pela África, mais do que o "neocolonialismo" ou uma mera questão geopolítica pelos campos de soja ou petróleo. E subjacente a isso está um entendimento que o Ocidente ignora por sua conta e risco: a África é onde o futuro está.

O fator da densidade demográfica de todo o continente africano e da diáspora africana, levando em conta às projeções futuras do “exército” africano e pessoas de cor ou melanina ampliam esse mercado consumidor. O crescimento africano vem sendo objeto de análise intelectual ao longo dos anos como ‘As próximas, próximas Superpotências Globais. Porque África está crescendo' (The Next, Next Global Superpowers: Why Africa Is Rising) de Jim O'Neill ‘Como África poderia se transformar na próxima superpotência do mercado global’ (How Africa Could Become The Next Global Market Superpower) de Will Licko e ‘Porque todas nações tem medo da África se transformar a próxima superpotência global’ (Why all nations fear Africa becoming the next global superpower!) de Sara Suten Seti da Universidade Seti da Sabedoria Africana Antiga & Moderna, apenas para citar algumas referências.

A África é o continente mais rico da Terra e é a origem do Imperador Mansa Musa, o homem mais rico de todos os tempos. "África, se una / Porque estamos saindo da Babilônia / E estamos indo para a terra de nosso pai” (Bob Marley). Um só Destino!



:: Efigenias ::

Somos africanos




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Paulo Mileno é um ator, escritor, pesquisador, conselheiro editorial da Revista África e Africanidades e co-autor do livro The Routledge Handbook on Africana Criminologies (2021) publicado pela Routledge International Handbooks. Mileno colabora para diversos jornais nacionais e internacionais, como Jornal do Brasil, Brasil de Fato, Observatório da Imprensa, Black History Month (Londres - Inglaterra), Black Star News (New York - Estados Unidos), San Francisco BayView National Black Newspaper (San Francisco - Estados Unidos), Ufahamu: A Journal of African Studies da Universidade da Califórnia, UCLA (Los Angeles – Estados Unidos) e Africa Business (Cidade do Cabo - África do Sul). Contato: pmileno@gmail.com