Aparelha Luzia - Lançamento do Espetáculo Rés da Corpórea Cia de Corpos

Variedades da Cena Preta Paulistana

Durante 40 minutos o quilombo urbano foi tomado por respirações curtas e olhos vidrados a cada movimento. Cerca de 100 pessoas acompanharam sem perder nenhum gesto do espetáculo de dança Rés.

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“Tudo não é dança, mas dança pode estar em tudo. Tudo é movimento” Verônica Santos


O espetáculo Rés tem como temática principal o universo do encarceramento feminino do Brasil e o perfil da mulher encarcerada que reflete uma assimetria de gênero que as atinge antes mesmo de entrarem em conflito com a lei. A terceira interprete e co-criadora Dandara Gomes, não pôde estar presente no lançamento e sobre ela, suas companheiras de cena são unânimes: é a cereja do bolo.

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Logo após a apresentação, a idealizadora, Verônica Santos e a bailarina Malu Avelar, integrantes da Corpórea Cia de Corpos, falaram com a Coluna sobre o espetáculo Rés e a próxima apresentação agendada para estrear em outubro.
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Com olhar vibrante, costurando a dança, com a existência e outros assuntos,  Verônica - bailarina clássica nascida em Belo Horizonte - se abre ao ser perguntada sobre empoderamento. O que é empoderamento pra você? “Empoderamento é minha mãe”, responde certeira.  “Ela questiona nossa geração e pergunta: O que nós fazemos com nosso empoderamento?”


Simone Grazielle da UTPA, Luanna Teofillo do Efigenias e Malu Avelar da Corpórea Cia de Corpos


Malu Avelar começa falando sobre a significado de lançar este espetáculo em Aparelha Luzia: “É muito forte. Morei nesta casa.” A artista mineira, que além de bailarina, é professora de artes, diz que aos dois anos já tinha certeza do que queria e hoje vê a dança como sua função no mundo. Atualmente, compõe o corpo de bailarinos da Cia Sansacroma e Corpórea, dois expoentes das artes e da dança preta contemporânea da cena paulistana.


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Sobre a política por trás da sua performance artística, diz Malu: “O ativismo veio depois, de outra forma. Na Universidade ouvi que as Belas Artes não eram para preto e pobre. Quando cheguei em São Paulo me assustei com a quantidade de pessoas pretas morrendo nas ruas aos olhares de todos ao mesmo tempo que muitas vezes, por conta do meu trabalho, círculo em locais elitistas.”

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O cantor e produtor Melvin Santhana assina a produção musical do espetáculo. O lançamento do seu álbum solo tem estreia prevista para o mês de outubro pela UTPA - mesma produtora do Rés.


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Recém chegado de New York, o bailarino Flip Couto também foi prestigiar o lançamento do espetáculo Rés. Depois de uma temporada na House of Matters, no bairro do Bronx, junto com o bailarino Felix Pimenta, continuam produzindo a Festa Amem.

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Biel Lima também, também do Coletivo Amem, estava presente no evento e está trabalhando como DJ Erik Elder em seu novo EP. Com influências de Otis, Barry White, Drake, Corine Bae, Khalid e Tassia Reis - que terá uma participação neste trabalho.


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Esta coluna é uma co-produção do Blog Efigenias, UTPA e Aparelha Luzia.


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