Racismo contra funcionários e passageiros da Latam


Coletivo Efigenias

No final de  2015 um grupo de jovens negros promoveu uma intervenção artística em um voo de uma grande empresa aérea brasileira. Motivo: o grupo relatou foi discriminados e hostilizados por pessoas que depois se descobriu serem funcionários na empresa.

O blog   Negro Belchior divulgou mais este caso de racismo na LATAM em dezembro do mesmo ano e relatou que entre as ofensas sofridas pelos jovens artistas os agressores disseram que “depois que começaram a vender passagens nas Casas Bahia, ficou foda andar de avião” e um deles disse: “Pede para trocar de lugar com a feinha aí”, referindo-se a uma das jovens pretas do grupo.

Sobre o fato, a empresa em questão, LATAM, disse em comunicado que  se sensibiliza com o ocorrido e esclarece que valoriza e respeita a diversidade entre as pessoas independentemente de idade, gênero, orientação sexual, religião e etnia. Será mesmo?


Uma rápida pesquisa na internet e encontramos várias reclamações, artigos e notícias sobre racismo relacionada a empresa LATAM. Apenas coincidências?




José Roberto dos Santos, ex-operador de cargas da companhia área  foi vítima de racismo em seu ambiente de trabalho na empresa.  Ele foi xingado racialmente por duas vezes por um funcionário da empresa. Como resultado, após a primeira sentença judicial do processo movido por Roberto, em maio de 2016 o profissional foi demitido, claramente por conta do processo. 




O confesso agressor continua trabalhando normalmente protegido pela ideologia da corporação que permite que racista atuem livremente seja contra clientes ou funcionários pretos. 

José Roberto relata ter presenciado outros casos de racismo na LATAM: “O meu caso no setor de cargas de Congonhas não foi o único. Um amigo sofreu racismo por conta do cabelo rasta e de tanto sofrer pressão por parte do gerente e supervisor, decidiu denunciar também. Ele foi uma das pessoas que me deu apoio. Tinha também uma moça negra que faziam piadas por conta do seu cabelo”, disse ele ao site Alma Preta.

Por que uma empresa que diz  repudiar qualquer tipo de ofensa e prática discriminatória e reforça ainda que qualquer opinião que contrarie o respeito à diversidade não reflete os valores e princípios da empresa tem tantos casos de racismo e preconceito?


Testemunhas ou cúmplices?

Outra vítima de racismo na LATAM, antiga Tam, foi da atleta belga Sarah Loko que também foi vitima de racismo por parte de funcionários da TAM durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro.



A judoca foi interrogada de forma grosseira por uma funcionária da companhia área que pediu inclusive para ver sua passagem de volta para a Bélgica. Detalhe, Sarah era a única passageira preta entre os presente e seus colegas não tiveram que passar pelo mesmo constrangimento.

Em comum, os casos do Coletivo Ruas , de José Roberto e de Sarah Loko, foram situações em que o racismo e a discriminação aconteceram diante de diversas testemunhas, ou seriam cúmplices do crime de racismo?  

Inconformado com o racismo sofrido dentro da aeronave,  o jovem grupo de ativistas foi reempreendido por um grupo de passageiros durante uma intervenção artística que os chamaram de "vitimistas".

José Roberto, que já havia passado por situação semelhante em 2012 quando foi ofendido  por outro funcionário, no momento do crime havia pelo menos  15 profissionais que presenciaram a cena e que se limitaram a rir da conduta criminosa do funcionário racista.

Entramos em contato com o atendimento da LATAM questionando sobre este e outros casos  de racismo e discriminação praticados por seus funcionários e mais uma vez recebemos como resposta, de forma leviana como a empresa demonstra querer resolver o problema, uma mensagem claramente copiada e colada:



A pergunta que fica é, depois de tudo isso, como a Latam continua insistindo em dizer que preza a diversidade? Nos folhetos e no material que apresenta em seu voo certamente não é, pois tantos nos folhetos quanto nos vídeos as pessoas são todas brancas, como eles aparentemente esperam que sejam seus passageiros, já que os pretos eles discriminam sistematicamente.

Ainda sobre o caso de José Roberto, o Ministério do Trabalho propôs que a LATAM incluísse no seu código de conduta que a empresa é contrária a práticas racistas, que fizesse campanhas ou palestras educativas contrárias ao racismo e também pagasse atendimento psicológico a José Roberto. Na terceira e última tentativa, a empresa alegou não ter interesse institucional naquele momento para adotar tais medidas e ofereceu um serviço pago de atendimento psicológico para José Roberto. O código de conduta sugerido foi negado pela defesa por não se colocar contrário de modo direto ao crime de racismo. Ou seja, mais uma vez a empresa LATAM afirmou seu compromisso com o racismo e discriminação diante do Poder Judiciário.

Será que a empresa não se importa? Será que está pronta boa parte do seu público que não se associará a uma empresa já considerada racista? Porque cada vez mais o mercado vai se desenvolver e mais opções serão dadas ao passageiros que certamente não vão querer pagar para ver se serão discriminados ou não. E quanto aos seus funcionários, a empresa não respeita a dignidade humana e nem tem empatia com um trabalhador que além de ser discriminado e humilhado ainda perdeu seu emprego?

José Roberto continua lutando na Justiça para ter seu direito reconhecido e a empresa devidamente punida. E o Coletivo Efigenias estará sempre com ele.


:: Coletivo Efigenias ::

Profissionais e artistas com um agenda anti-racismo

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